Regarde-la ma ville Elle s'appelle bidon Bidon, bidon, bidonville Vivre la dedans c'est cotton Les filles qui ont la peau douce La vendent pour manger Dans les chambres l'herbe pousse Pour y dormir faut se pousser Les gosses jouent mais le ballon C'est une boite de sardine, bidon Donne-moi ta main camarade Toi qui viens d'un pays ou les hommes sont beaux Donne-moi ta main camarade J'ai cinq doigts moi aussi On peut se croire egaux. Regarde-la ma ville Elle s'appelle bidon Bidon, bidon, bidonville Me tailler d'ici,a quoi bon. Pourquoi veux-tu que je me perde Dans tes cites,a quoi sa sert ! Je verrai toujours de la merde Meme dans le bleu de la mer Je dormirais sur des millions Je reverrai toujours toujours bidon Donne-moi ta main camarade Toi qui viens d'un pays ou les hommes sont beaux Donne-moi ta main camarade J'ai cinq doigts moi aussi On peut se croire egaux. Serre-moi la main, camarade Je te dis au revoir Je te dis a bientot Bientot, bientot On pourra se parler, camarade, Bientot, bientot On pourra s'embrasser, camarade, Bientot, bientot Les oiseaux, les jardins, les cascades, Bientot, bientot Le soleil dansera, camarade Bientot, bientot Je t'attends, je t'attends, camarade.
Sentada en el anden, Mi cuerpo tiembla y puedo ver, Que a lo lejos silva el viejo tren Como sombra del ayer.no sera facil ser De nuevo un solo corazón, Siempre habia sido una mitad Sin saber mi identidad. No llevare ninguna imagen de aqui Me ire desnuda igual que naci, Debo empezar a ser yo misma y saber Que soy capaz y que ando por mi pie. Siempre habia sido una mitad, Sin saber mi identidad No llevare ninguna imagen de aqui, Me ire desnuda igual que naci, Debo empezar a ser yo misma y saber, Que soy capaz y que ando por mi pie. Desde mi libertad Soy fuerte porque soy volcan, Nunca me enseñaron a volar Pero el vuelo debo alzar. Nunca me enseñaron a volar Pero el vuelo debo Alzar
Cuando ya nada se espera personalmente exaltante, más se palpita y se sigue más acá de la consciencia, fieramente existiendo, ciegamente afirmando, como un pulso que golpea las tinieblas, que golpea las tinieblas.
Cuando se miran de frente los vertiginosos ojos claros de la muerte, se dicen las verdades ; las bárbaras, terribles, amorosas crueldades, amorosas crueldades.
Poesía para el pobre, poesía necesaria como el pan de cada día, como el aire que exigimos trece veces por minuto para ser y tanto somos, dar un sí que glorifica, dar un sí que glorifica.
Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan decir que somos quien somos, nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno, Estamos tocando el fondo, estamos tocando el fondo.
Maldigo al poesía concebida como un lujo cultural para los neutrales que lavándose las manos, se desentienden y evaden. Maldigo la poesía de quien no ha tomado partido, partido hasta mancharse.
Hago mías las faltas. Siento en mi a cuantos sufren y canto respirando. Canto y canto y cantando más allá de mis penas de mis penas personales, me ensancho, me ensancho.
Quiero daros vida, provocar nuevos actos, y calculo por eso, con técnica que puedo. Me siento un ingeniero del verso y un obrero que trabaja con otros a España, a España a sus aceros.
No es una poesía gota a gota pensada, No es un bello producto. No es un fruto perfecto, es lo más necesario: lo que no tiene nombre. Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.
Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejen decir que somos quien somos, nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno Estamos tocando el fondo, Estamos tocando el fondo.
Chamava-se Catarina O Alentejo a viu nascer Serranas viram-na em vida Baleizão a viu morrer Ceifeiras na manhã fria Flores na campa lhe vão por Ficou vermelha a campina Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina Que o teu pranto não findou Quem viu morrer Catarina Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca Todos a querem pr'a si Ó Alentejo queimado Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra Bate as asas p´ra voar Ó Alentejo esquecido Inda um dia hás-de cantar.
Victor Jara estava nas instalações da Universidade, quando se deu o golpe de Estado de Augusto Pinochet, em 11 de Setembro de 1973. Os militares cercaram a Universidade onde se encontravam alunos, funcionários e professores, obrigando-os a passar a noite de 11 para 12 de Setembro dentro das suas instalações. No dia seguinte invadiram a Universidade e transportaram-nos para o Estádio do Chile, convertendo-o num campo de concentração. Os prisioneiros foram mantidos lá num clima de fome, frio, violência e terror durante vários dias. Victor Jara foi reconhecido pelos militares e foi espancado e torturado durante esses dias, até ao seu assassinato a 16 de Setembro.
Nos dias anteriores ao seu assassinato, escreveu este poema que, graças aos seus companheiros de cativeiro, conseguiu chegar até nós. E neste dia em que a justiça chilena condenou o seu cruel assassino, aqui deixo a minha homenagem a este grande homem de convicções. Hasta siempre Victor Jara.
"Somos cinco mil
Somos cinco mil aquí. En esta pequeña parte de la ciudad. Somos cinco mil. ¿Cuántos somos en total en las ciudades y en todo el país?
Somos aquí diez mil manos que siembran y hacen andar las fábricas.
¡Cuánta humanidad con hambre, frío, pánico, dolor, presión moral, terror y locura!
Seis de los nuestros se perdieron en el espacio de las estrellas.
Un muerto, un golpeado como jamás creí se podría golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitar se todos los temores,uno saltando al vacío, otro golpeándose la cabeza contra el muro, pero todos con la mirada fija de la muerte.
¡Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera sin importarles nada. La sangre para ellos son medallas. La matanza es acto de heroísmo.
¿Es éste el mundo que creaste, Dios mío? ¿Para esto tus siete días de asombro y trabajo?
En estas cuatro murallas sólo existe un número que no progresa. Que lentamente querrá la muerte.
Pero de pronto me golpea la consciencia y veo esta marea sin latido y veo el pulso de las máquinas y los militares mostrando su rostro de matrona lleno de dulzura.
¿Y Méjico, Cuba, y el mundo? ¡Qué griten esta ignominia!
Somos diez mil manos que no producen. ¿Cuántos somos en toda la patria?
La sangre del Compañero Presidente golpea más fuerte que bombas y metrallas. Así golpeará nuestro puño nuevamente. Canto, que mal me salescuando tengo que cantar espanto. Espanto como el que vivo, como el que muero, espanto.
De verme entre tantos y tantos momentos del infinito en que el silencio y el grito son las metas de este canto.
Lo que nunca vi, lo que he sentido y lo que siento hará brotar el momento..."
Sim, foi assim que a minha mão Surgiu de entre o silêncio obscuro E com cuidado, guardou lugar À flor da Primavera e a tudo
Manhã de Abril E um gesto puro Coincidiu com a multidão Que tudo esperava e descobriu Que a razão de um povo inteiro Leva tempo a construir
Ficámos nós Só a pensar Se o gesto fora bem seguro
Ficámos nós A hesitar Por entre as brumas do futuro
A outra acção prudente Que termo dava À solidão da gente Que deseperava Na calada e fria noite De uma terra inconsolável Adormeci Com a sensação Que tinhamos mudado o mundo Na madrugada A multidão Gritava os sonhos mais profundos
Mas além disso Um outro breve início Deixou palavras de ordem Nos muros da cidade Quebrando as leis do medo Foi mostrando os caminhos E a cada um a voz Que a voz de cada era A sua voz A sua voz
...Quem a fez era soldado homem novo capitão mas também tinha a seu lado muitos homens na prisão. De tudo o que Abril abriu ainda pouco se disse um menino que sorriu uma porta que se abrisse um fruto que se expandiu um pão que se repartisse um capitão que seguiu o que a história lhe predisse e entre vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras um povo que levantava sobre um rio de pobreza a bandeira em que ondulava a sua própria grandeza! De tudo o que Abril abriu ainda pouco se disse e só nos faltava agora que este Abril não se cumprisse. Só nos faltava que os cães viessem ferrar o dente na carne dos capitães que se arriscaram na frente. Na frente de todos nós povo soberano e total que ao mesmo tempo é a voz e o braço de Portugal. Ouvi banqueiros fascistas agiotas do lazer latifundiários machistas balofos verbos de encher e outras coisas em istas que não cabe dizer aqui que aos capitães progressistas o povo deu o poder! E se esse poder um dia o quiser roubar alguém não fica na burguesia volta à barriga da mãe! Volta à barriga da terra que em boa hora o pariu agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu! Ary dos Santos
" Todos nós somos memória, e a memória, para o bom e para o mal, é a única coisa que não nos podem roubar".
Cantares de Amigos
"É possível falar sem um nó na garganta é possível amar sem que venham proibir é possível correr sem que seja a fugir. Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta. É possível andar sem olhar para o chão é possível viver sem que seja de rastos. Os teus olhos nasceram para olhar os astros. Se te apetece dizer não grita comigo: não. É possível viver de outro modo. É possível transformares em arma a tua mão. É possível o amor é possível o pão. É possível viver de pé! Não te deixes murchar. Não deixes que te domem. É possível viver sem fingir que se vive. É possível ser homem. É possível ser livre."
Manuel Alegre
"Primeiro levaram os comunistas, mas não me importei com isso eu não era comunista. Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso eu também não era operário. Depois prenderam os sindicalistas, mas não me importei com isso porque eu não sou sindicalista. Depois agarraram uns sacerdotes, mas como não sou religioso também não me importei. Agora estão-me a levar a mim Mas já é tarde..."
(Bertold Brecht)
“A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou, Sei que não vou por aí.”
José Régio
"Oh! Esta comoção de me sentir sozinho no meio da multidão - a ouvir o meu coração no peito do vizinho Oh! Esta solidão quente como a camaradagem do vinho!
José Gomes Ferreira, Comício"
"Homem, abre os olhos e verás em cada outro homem um irmão. Homem, as paixões que te consomem não são boas nem más. São a tua condição. A paz, porém, só a terás quando o pão que os outros comem, homem, for igual ao teu pão.
Armindo Rodrigues"
"Quando desembarcas em Lisboa, Céu celeste e rosa, estuque branco e ouro pétalas de ladrilho as casas, as portas, os tectos, as janelas salpicadas do ouro verde dos limões, do azul ultramarino dos navios, quando desembarcas não conheces, não sabes que por detrás das janelas escuta ronda a polícia negra, os carcereiros de luto de Salazar, perfeitos filhos de sacristia e calabouço despachando presos para as ilhas, condenando ao silêncio pululando como esquadrões de sombras sob janelas verdes, entre montes azuis, a polícia, sob outonais cornucópias, a polícia procurando portugueses, escavando o solo, destinando os homens à sombra.