Ella em va estimar tant... Jo me l'estimo encara. Plegats vam travessar una porta tancada.
Ella, com us ho podré dir, era tot el meu món llavors quan en la llar cremàvem només paraules d'amor...
Paraules d'amor senzilles i tendres. No en sabíem més, teníem quinze anys. No havíem tingut massa temps per aprendre'n, tot just despertàvem del son dels infants.
En teníem prou amb tres frases fetes que havíem après d'antics comediants. D'històries d'amor, somnis de poetes, no en sabíem més, teníem quinze anys...
Ella qui sap on és, ella qui sap on para. La vaig perdre i mai més he tornat a trobar-la.
Però sovint en fer-se fosc, de lluny m'arriba una cançó. Velles notes, vells acords, velles paraules d'amor…
Avec le temps... Avec le temps, va, tout s'en va On oublie le visage et l'on oublie la voix Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien Avec le temps... Avec le temps, va, tout s'en va L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie L'autre qu'on devinait au détour d'un regard Entre les mots, entre les lignes et sous le fard D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit Avec le temps tout s'évanouit Avec le temps... Avec le temps, va, tout s'en va Mêm' les plus chouett's souv'nirs ça t'as un' de ces gueules A la Gal'rie j'farfouille dans les rayons d'la mort Le samedi soir quand la tendresse s'en va tout seule Avec le temps... Avec le temps, va, tout s'en va L'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens Avec le temps, va, tout va bien Avec le temps... Avec le temps, va, tout s'en va On oublie les passions et l'on oublie les voix Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid Avec le temps... Avec le temps, va, tout s'en va Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard Et l'on se sent floué par les années perdues Alors vraiment Avec le temps on n'aime plus. Léo Ferré
Eh! Companheiro aqui estou aqui estou pra te falar Estas paredes me tolhem os passos que quero dar uma e feita de granito não se pode rebentar outra de vidro rachado p'ras duas pernas cortar
Eh! Companheiro resposta resposta te quero dar Só tem medo desses muros quem tem muros no pensar todos sabemos do pássaro cá dentro a qu'rer voar se o pensamento for livre todos vamos libertar
Eh! Companheiro eu falo eu falo do coração Já me acostumei à cor desta negra solidão já o preto que vai bem já o branco ainda não não sei quando vem o vento pra me levar de avião
Eh! Companheiro respondo respondo do coração ser sozinho não é sina nem de rato de porão faz também soprar o vento não esperes o tufão põe sementes do teu peito nos bolsos do teu irmão
Eh! Companheiro vou falar vou falar do meu parecer Vira o vento muda a sorte toda a vida ouvi dizer soprou muita ventania não vi a sorte crescer meu destino e sempre o mesmo desde moço até morrer
Eh! Companheiro aqui estou aqui estou p'ra responder Sorte assim não cresce a toa como urtiga por colher cresce nas vinhas do povo leva tempo a amadur'cer quando mudar seu destino está ao alcance de um viver
Eh! Companheiro aqui estou aqui estou pra te falar De toda a parte me chamam não sei p'ra onde me virar uns que trazem fechadura com portas para espreitar outros que em nome da paz não me deixam nem olhar
Eh! Companheiro resposta resposta te quero dar Portas assim foram feitas p'ra se abrir de par em par não confundas duas coisas cada paz em seu lugar pela paz que nos recusam muito temos de lutar.
Je suis ainsi pas autrement Je ne suis pas quelqu’un qui ment Par mon silence ou mon sourire Je dis bien ce que je veux dire Je ne suis pas quelqu’un qui charme Pour cacher la cause des larmes Je ne dis pas que tout est bien Qu’il faut accepter le destin Je ne viens pas en pécheresse En Pythonisse, en chasseresse Je ne viens pas pour endormir Ceux-là que vivre fait frémir Je ne suis pas quelqu’un qui chante Comme on parle à sa confidente Je ne viens pas vous murmurer Comme il fait bon être emmurés Je chante ce que je crois être vrai Et si je crie fort, c’est exprès Je viens vous dire qu’il faut vivre Autant, et mieux que dans les livres.
Je suis ainsi, pas autrement Je ne suis pas quelqu’un qui ment Par mon silence ou mon sourire Je dis bien ce que je veux dire Qu’il faut s’inventer du bonheur Et l’arracher aux ricaneurs Aux exploiteurs, aux hypocrites Aux embaumeurs de marguerites Qu’il faut vivre au plus haut de soi
Et faire du combat sa loi Quand ce combat avec les hommes C’est devenir ce que nous sommes Je suis ainsi, pas autrement Votre vie est mon élément Par tendresse, par amitié Je suis, je reste, à vos côtés Je suis ainsi, pas autrement Votre vie est mon élément Par tendresse, par amitié Je suis, je reste, à vos côtés
Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não Nas escolas nas ruas, campos, construções Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações Pelas ruas marchando indecisos cordões Ainda fazem da flor seu mais forte refrão E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Há soldados armados, amados ou não Quase todos perdidos de armas na mão Nos quartéis lhes ensinam antigas lições De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Nas escolas, nas ruas, campos, construções Somos todos soldados, armados ou não Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não Os amores na mente, as flores no chão A certeza na frente, a história na mão Caminhando e cantando e seguindo a canção Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Acordai acordai homens que dormis a embalar a dor dos silêncios vis vinde no clamor das almas viris arrancar a flor que dorme na raíz
Acordai acordai raios e tufões que dormis no ar e nas multidões vinde incendiar de astros e canções as pedras do mar o mundo e os corações
Acordai acendei de almas e de sóis este mar sem cais nem luz de faróis e acordai depois das lutas finais os nossos heróis que dormem nos covais Acordai!
Tu que dormes a noite na calçada de relento Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento És meu irmão amigo És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume E sofres o Natal da solidão sem um queixume És meu irmão amigo És meu irmão
Natal é em Dezembro Mas em Maio pode ser Natal é em Setembro É quando um homem quiser Natal é quando nasce uma vida a amanhecer Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar Tu que inventas bonecas e comboios de luar E mentes ao teu filho por não os poderes comprar És meu irmão amigo És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei És meu irmão amigo És meu irmão
Natal é em Dezembro Mas em Maio pode ser Natal é em Setembro É quando um homem quiser Natal é quando nasce uma vida a amanhecer Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
" Todos nós somos memória, e a memória, para o bom e para o mal, é a única coisa que não nos podem roubar".
Cantares de Amigos
"É possível falar sem um nó na garganta é possível amar sem que venham proibir é possível correr sem que seja a fugir. Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta. É possível andar sem olhar para o chão é possível viver sem que seja de rastos. Os teus olhos nasceram para olhar os astros. Se te apetece dizer não grita comigo: não. É possível viver de outro modo. É possível transformares em arma a tua mão. É possível o amor é possível o pão. É possível viver de pé! Não te deixes murchar. Não deixes que te domem. É possível viver sem fingir que se vive. É possível ser homem. É possível ser livre."
Manuel Alegre
"Primeiro levaram os comunistas, mas não me importei com isso eu não era comunista. Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso eu também não era operário. Depois prenderam os sindicalistas, mas não me importei com isso porque eu não sou sindicalista. Depois agarraram uns sacerdotes, mas como não sou religioso também não me importei. Agora estão-me a levar a mim Mas já é tarde..."
(Bertold Brecht)
“A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou, Sei que não vou por aí.”
José Régio
"Oh! Esta comoção de me sentir sozinho no meio da multidão - a ouvir o meu coração no peito do vizinho Oh! Esta solidão quente como a camaradagem do vinho!
José Gomes Ferreira, Comício"
"Homem, abre os olhos e verás em cada outro homem um irmão. Homem, as paixões que te consomem não são boas nem más. São a tua condição. A paz, porém, só a terás quando o pão que os outros comem, homem, for igual ao teu pão.
Armindo Rodrigues"
"Quando desembarcas em Lisboa, Céu celeste e rosa, estuque branco e ouro pétalas de ladrilho as casas, as portas, os tectos, as janelas salpicadas do ouro verde dos limões, do azul ultramarino dos navios, quando desembarcas não conheces, não sabes que por detrás das janelas escuta ronda a polícia negra, os carcereiros de luto de Salazar, perfeitos filhos de sacristia e calabouço despachando presos para as ilhas, condenando ao silêncio pululando como esquadrões de sombras sob janelas verdes, entre montes azuis, a polícia, sob outonais cornucópias, a polícia procurando portugueses, escavando o solo, destinando os homens à sombra.