domingo, 23 de novembro de 2008

Eu sou Português.





Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.

Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Eu sou português aqui

José Fanha

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Potemkine



M'en voudrez-vous beaucoup si je vous dis un monde
Qui chante au fond de moi au bruit de l'ocean
M'en voudrez-vous beaucoup si la revolte gronde
Dans ce nom que je dis au vent des quatre vents
Ma memoire chante en sourdine : Potemkine.

Ils etaient des marins durs a la discipline
Ils etaient des marins, ils etaient des guerriers
Et le coeur d'un marin au grand vent se burine,
Ils etaient des marins sur un grand cuirassé
Sur les flots je t'imagine : Potemkine.

M'en voudrez-vous beaucoup si je vous dis un monde
Ou celui qui a faim va etre fusillé
Le crime se prepare et la mer est profonde
Que face aux revoltés montent les fusiliers
C'est mon frére qu'on assassine : Potemkine.

Mon frére, mon ami, mon fils, mon camarade
Tu ne tireras pas sur qui souffre et se plaint
Mon frére, mon ami, je te fais notre alcade
Marin, ne tire pas sur un autre marin
Ils tournerent leurs carabines : Potemkine.

M'en voudrez-vous beaucoup si je vous dis un monde
Ou l'on punit ainsi qui veut donner la mort
M'en voudrez-vous beaucoup si je vous dis un monde
Ou l'on n'est pas toujours du coté du plus fort
Ce soir j'aime la marine : Potemkine

Jean Ferrat

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sou de outras coisas.

Sou doutras coisas - Fernando Tordo


Sou de outras coisas
pertenço ao tempo que há-de vir sem ser futuro
e sou amante da profunda liberdade
sou parte inteira de uma vida vagabunda
sou evadido da tristeza e da ansiedade

Sou doutras coisas
fiz o meu barco com guitarras e com folhas
e com o vento fiz a vela que me leva
sou pescador de coisas belas, de emoções
sou a maré que sempre sobe e não sossega

Sou das pessoas que me querem e que eu amo
vivo com elas por saber quanto lhes quero
a minha casa é uma ilha é uma pedra
que me entregaram num abraço tão sincero

Sou doutras coisas
sou de pensar que a grandeza está no homem
porque é o homem o mais lindo continente
tanto me faz que a terra seja longa ou curta
tranco-me aqui por ser humano e por ser gente

Sou doutras coisas
sou de entender a dor alheia que é a minha
sou de quem parte com a mágoa de quem fica
mas também sou de querer sonhar o novo dia

Fernando Tordo

domingo, 14 de setembro de 2008

Plegaria de un labrador



Levántate y mira la montaña
de donde viene
el viento, el sol y el agua,
tú que manejas el curso de los ríos,
tú que sembraste el vuelo de tu alma.
Levántate y mírate las manos
para crecer, estréchala a tu hermano,
juntos iremos unidos en la sangre,
hoy es el tiempo que puede ser mañana. Líbranos de aquel que nos domina
en la miseria;
tráenos tu reino de justicia
e igualdad;
sopla como el viento la flor de la quebrada,
limpia como el fuego el cañón de mi fusil;
hágase por fin la voluntad
aquí en la tierra
danos tu fuerza y tu valor
al combatir,
sopla como el viento la flor de la quebrada,
limpia como el fuego el cañón de mi fusil.

Levántate y mírate las manos
para crecer, estréchala a tu hermano,
juntos iremos unidos en la sangre,
ahora en la hora de nuestra muerte.
Amén.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

UMA NOVA MULHER

Uma Nova Mulher - Simone

Que venha essa nova mulher de dentro de mim,
Com olhos felinos felizes e mãos de cetim
E venha sem medo das sombras, que rondam o meu coração,
E ponha nos sonhos dos homens
A sede voraz, da paixão
Que venha de dentro de mim, ou de onde vier,
Com toda malícia e segredos que eu não souber
Que tenha o cio das corças e lute com todas as forças,
Conquiste o direito de ser uma nova mulher
Livre, livre, livre para o amor....
quero ser assim, quero ser assim
Senhora das minhas vontades
E dona de mim
Livre, livre, livre para o amor,
Quero ser assim, quero ser assim,
Senhora das minha vontades
E dona de mim....
Que venha de dentro de mim, ou de onde vier,
Com toda malícia e segredos que eu não souber
Que tenha o cio das corças e lute com todas as forças,
Conquiste o direito de ser uma nova mulher
Livre, livre, livre para o amor
Quero ser assim, quero ser assim,
Senhora das minhas vontades
E dona de mim
Livre, livre, livre para o amor,
Quero ser assim, quero ser assim,
Senhora das minhas vontades
E dona de mim....
Que venha essa nova mulher de dentro de mim
Que venha de dentro de mim ou de onde vier
Que venha essa nova mulher de dentro de mim

SIMONE

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

BIDONVILLE



Regarde-la ma ville
Elle s'appelle bidon
Bidon, bidon, bidonville
Vivre la dedans c'est cotton
Les filles qui ont la peau douce
La vendent pour manger
Dans les chambres l'herbe pousse
Pour y dormir faut se pousser
Les gosses jouent mais le ballon
C'est une boite de sardine, bidon
Donne-moi ta main camarade
Toi qui viens d'un pays ou les hommes sont beaux
Donne-moi ta main camarade
J'ai cinq doigts moi aussi
On peut se croire egaux.
Regarde-la ma ville
Elle s'appelle bidon
Bidon, bidon, bidonville
Me tailler d'ici,a quoi bon.
Pourquoi veux-tu que je me perde
Dans tes cites,a quoi sa sert !
Je verrai toujours de la merde
Meme dans le bleu de la mer
Je dormirais sur des millions
Je reverrai toujours toujours bidon
Donne-moi ta main camarade
Toi qui viens d'un pays ou les hommes sont beaux
Donne-moi ta main camarade
J'ai cinq doigts moi aussi
On peut se croire egaux.
Serre-moi la main, camarade
Je te dis au revoir
Je te dis a bientot
Bientot, bientot
On pourra se parler, camarade,
Bientot, bientot
On pourra s'embrasser, camarade,
Bientot, bientot
Les oiseaux, les jardins, les cascades,
Bientot, bientot
Le soleil dansera, camarade
Bientot, bientot
Je t'attends, je t'attends, camarade.

domingo, 13 de julho de 2008

DESDE MI LIBERTAD



Sentada en el anden,
Mi cuerpo tiembla y puedo ver,
Que a lo lejos silva el viejo tren
Como sombra del ayer.no sera facil ser
De nuevo un solo corazón,
Siempre habia sido una mitad
Sin saber mi identidad.
No llevare ninguna imagen de aqui
Me ire desnuda igual que naci,
Debo empezar a ser yo misma y saber
Que soy capaz y que ando por mi pie.
Siempre habia sido una mitad,
Sin saber mi identidad
No llevare ninguna imagen de aqui,
Me ire desnuda igual que naci,
Debo empezar a ser yo misma y saber,
Que soy capaz y que ando por mi pie.
Desde mi libertad
Soy fuerte porque soy volcan,
Nunca me enseñaron a volar
Pero el vuelo debo alzar.
Nunca me enseñaron a volar
Pero el vuelo debo
Alzar

terça-feira, 24 de junho de 2008

ABRIL 74




Companys, si sabeu on dorm la lluna blanca,
digueu-li que la vull
però no puc anar a estimar-la,
que encara hi ha combat.

Companys, si coneixeu el cau de la sirena,
allà enmig de la mar,
jo l'aniria a veure,
però encara hi ha combat.

I si un trist atzar m'atura i caic a terra,
porteu tots els meus cants
i un ram de flors vermelles
a qui tant he estimat,
si guanyem el combat.

Companys, si enyoreu les primaveres lliures,
amb vosaltres vull anar,
que per poder-les viure
jo me n'he fet soldat.

I si un trist atzar m'atura i caic a terra,
porteu tots els meus cants
i un ram de flors vermelles
a qui tant he estimat,
quan guanyem el combat.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

CANTATA DA PAZ.

Cantata da Paz - Francisco Fanhais

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar


Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror


A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças


D'África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados


Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 1 de junho de 2008

A poesia é uma arma carregada de futuro.

La poesía es un arma cargada de futuro - Gabriel Celaya - Paco Ibáñez

Cuando ya nada se espera personalmente
exaltante,
más se palpita y se sigue más acá de la
consciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,
que golpea las tinieblas.

Cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades ;
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades,
amorosas crueldades.

Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto
para ser y tanto somos, dar un sí que glorifica,
dar un sí que glorifica.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos
dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un
adorno,
Estamos tocando el fondo,
estamos tocando el fondo.

Maldigo al poesía concebida como un lujo
cultural para los neutrales
que lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no ha tomado partido,
partido hasta mancharse.

Hago mías las faltas. Siento en mi a cuantos
sufren
y canto respirando.
Canto y canto y cantando más allá de mis penas
de mis penas personales,
me ensancho, me ensancho.

Quiero daros vida, provocar nuevos actos,
y calculo por eso, con técnica que puedo.
Me siento un ingeniero del verso y un obrero
que trabaja con otros a España,
a España a sus aceros.

No es una poesía gota a gota pensada,
No es un bello producto. No es un fruto
perfecto,
es lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos
dejen
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un
adorno
Estamos tocando el fondo,
Estamos tocando el fondo.