terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Je suis ainsi.
Je suis ainsi pas autrement
Je ne suis pas quelqu’un qui ment
Par mon silence ou mon sourire
Je dis bien ce que je veux dire
Je ne suis pas quelqu’un qui charme
Pour cacher la cause des larmes
Je ne dis pas que tout est bien
Qu’il faut accepter le destin
Je ne viens pas en pécheresse
En Pythonisse, en chasseresse
Je ne viens pas pour endormir
Ceux-là que vivre fait frémir
Je ne suis pas quelqu’un qui chante
Comme on parle à sa confidente
Je ne viens pas vous murmurer
Comme il fait bon être emmurés
Je chante ce que je crois être vrai
Et si je crie fort, c’est exprès
Je viens vous dire qu’il faut vivre
Autant, et mieux que dans les livres.
Je suis ainsi, pas autrement
Je ne suis pas quelqu’un qui ment
Par mon silence ou mon sourire
Je dis bien ce que je veux dire
Qu’il faut s’inventer du bonheur
Et l’arracher aux ricaneurs
Aux exploiteurs, aux hypocrites
Aux embaumeurs de marguerites
Qu’il faut vivre au plus haut de soi
Et faire du combat sa loi
Quand ce combat avec les hommes
C’est devenir ce que nous sommes
Je suis ainsi, pas autrement
Votre vie est mon élément
Par tendresse, par amitié
Je suis, je reste, à vos côtés
Je suis ainsi, pas autrement
Votre vie est mon élément
Par tendresse, par amitié
Je suis, je reste, à vos côtés
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Pra não dizer que não falei das flores.
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Llanto para Alfonso Sastre y todos.
Foi quando as madres terríveis
Levantaram a cabeça
Foi quando os sinos dobraram
Nas torres de Saragoça
Foi quando a Guarda Civil
Surgiu no brilho de aço
Que de novo se pintou
A Guernica de Picasso
Não eram cinco da tarde
Nem da noite ou da manhã
Era a hora de lutar
Pela Espanha de amanhã
Era a hora de acordar
A voz de Lorca e Machado
Era a hora de atacar
Com a foice e o arado
Não eram cinco da tarde
Nem da noite ou da manhã
Era a hora de lutar
Pela Espanha de amanhã
Algures na arena da esperança
Contra os cornos do fascismo
Um poeta abria a dança
Dos passos do heroísmo
Suas palavras agudas
Feriam as carnes da besta
Pois jamais se quedam mudas
As vozes de quem protesta
Algures na arena da esperança
Contra os cornos do terror
Um poeta abria a dança
Das palavras que dão flor
Dizia amigo canção
Pátria alento humanidade
Dizia verdade e pão
Como quem diz liberdade
Não eram cinco da tarde
Nem da noite ou da manhã
Era a hora de cantar
Pela Espanha de amanhã
Foi então que do mais fundo
Do ódio do mal do medo
Irrompeu o berro imundo
De quem oprime e não cede
Choveram balas patadas
Correntes golpes mordaças
E palavras embrulhadas
Em insultos e ameaças
Chegaram ferros e facas
Uivos lâmpadas chicotes
Choques agulhas matracas
Baionetas e garrotes
Não eram cinco da tarde
Nem da noite ou da manhã
Era a hora de calar
Pela Espanha de amanhã
Algures na arena da esperança
Um poeta foi torturado
Sua alegria a vingança
Seu nome cantor soldado
Algures na arena da esperança
Um poeta foi torturado
Sua alegria a vingança
Seu nome cantor soldado
Não eram cinco da tarde
Nem da noite ou da manhã
Era a hora de cantar
Pela Espanha de amanhã.
(José Carlos Ary dos Santos)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Arte Poética
Que o poema tenha carne
ossos vísceras destino
que seja pedra e alarme
ou mãos sujas de menino.
Que venha corpo e amante
e de amante seja irmão
que seja urgente e instante
como um instante de pão.
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.
Que seja rua ou ternura
tempestade ou manhã clara
seja arado e aventura
fábrica terra e seara.
Que traga rugas e vinho
berços máquinas luar
que faça um barco de pinho
e deite as armas ao mar.
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.
Hélia Correia
NOTA: Este poema foi musicado e cantado por José Jorge Letria, como canção de intervenção depois de Abril de 1974.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Acordai.
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
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